domingo, 15 de setembro de 2013

Wachtman

              Um ano depois da minha ultima publicação eu retorno aqui para postar algo novo. Fiquei meio longe do pc, da net, Facebook, etc.. e para ser sincero ainda não to muito perto não. heheheh.


             Mas decidi tentar continuar esse projeto e retoma-lo da melhor forma que der. Espero ao menos atender as espectativas quanto a qualidade das publicações.


             Estava incerto sobre com o que recomeçar a publicar. Tem tantas coisas que eu posso falar, mas queria algo que fosse marcante, pelo menos que fosse marcante a mim. Lembrei que na minha primeira publicação falei de "O Cavaleiro das Trevas", a Grafic Novel de Frank Miller. Disse então que essa obra era, de certa forma, o início do divisor de aguas no conceito de HQs nos anos 80. Pois bem, achei que deveria então retomar com aquele que definitivamente conclui esse divisor: Watchman.








             Watchman é uma obra do "mago" Alan Moore (ele se intitulou assim. Talvez ate seja, porque no texto dessa Grafic Novel, ele faz magia....)  de   que a escreveu com uma inspiração única ao transformar os heróis de HQs em pessoas comuns, com medos, desejos, falhas de caráter, neuroses, libido, psicoses, conduta duvidosa para um "herói", ele realmente cria uma psicologia bem traçada para cada personagem que escreveu, criando uma especie caricatura terrível de heróis conhecidos como Batman, Capitao America, Super-homem.






A ideia: 

             Moore (V vingança, Monstro do Pantano, Do Inferno, Hellblazer, A Liga Extraordinária) havia sido contratado pela DC Comics para escrever um enredo com personagens recém adquiridos pela DC de outras companhias. Ele pretendia dar cara nova aos personagens conhecidos e seguir um rumo diferente na historia deles. O enredo começava com a morte de um dos personagens e seguia com o desdobramento da investigação. O projeto foi aprovado, porém a DC não queria ver seus personagem que acabaram de serem comprados morrendo logo na primeira historia e verem seu investimento na compra morrendo com eles. Foi sugerido a Moore então que ele usasse personagens inventados por ele (Assim eles podiam morrer o quanto ele quisesse. :-D ).


             De início Moore não gostou da idéia. Ele queria usar personagens conhecidos e utilizar dessa familiaridade dos leitores como um fator emocional. Mas então pensou que se ele descrevesse, e escrevesse, bem o bastante os personagens, poderia criar essa familiaridade e ligação com o leitor.


             Um tiro preciso do Sr Moore. Pois não só você passa a conhece-los como também cria os seus personagens favoritos e os detestáveis.


             David Gibbons (Juiz Dredd, Doctor Who, The Originals, Lanterna Verde) que já havia trabalhado com Moore em outros trabalhos anteriormente, se interessou pelo projeto, e junto com o colorista John Higgins, fecharam a equipe da obra.


A Trama:


             Como Moore havia idealizado desde o principio, a historia começa com a morte de um dos principais personagens, (de fato o principal personagem, sem ele nada da trama teria acontecido, nem antes, nem depois da sua morte) Comediante, um ex-combatente do crime que nos últimos anos ajudava o governo americano, que foi assassinado. A investigação de sua morte revela pouco a pouco quem ele era através das lembrança de seus companheiros, e claro, revela também sobre a personalidade dos próprios companheiros.


             Ambientada em um mundo fantasioso que flerta com a realidade, Watchman tem a premissa de imaginar como seria um mundo onde heróis fantasiados fossem reais e andassem pelas ruas combatendo o crime e como isso afetaria a historia real. E além, como a historia real, com guerras, fome, politica, afetaria os heróis.


             Moore escreve sobre um tema antigo, retirado de uma sátira de juvenal, que fala sobre duvidosa conduta dos oficiais da lei na roma antiga, que mais traziam rancor do que gratidão dos cidadãos a quem deviam proteger (parece familiar? tema atual, não?)  "Quis custodiet ipsos custodes" era a máxima da sátira, "Quem vigia os vigilantes" ("Who watches the watchmen?") é a tradução usada em Watchman, que é pichada nas paredes em protesto aos heróis. Heróis reais, pessoas de verdade que carregam consigo alem de mascaras, seus dramas e traumas para as ruas. Gerando essa visão nada apreciada pela população





             Watchman é única. Uma historia envolvente desde a primeira pagina. Moore brinca com a percepção do leitor, descrevendo em partes, como num quebra-cabeça, tudo que envolve a obra. Quem são os personagens, como é o mundo em que se passa, quem esta por trás do assassinato e qual é a moral dessa historia, ficando a cargo do leitor junta-las. Por vezes ele nos obriga a retornar la no começo e rever um trecho que demos pouca importância, só pra conferir se é aquilo mesmo q ele falou. 


             Diálogos rápidos e ácidos que acertam em cheio o amago de questões morais de nossa sociedade.


             E a moral dessa historia é que talvez vivemos num mundo sem moral, ou acima dela.  Watchman deixa a cargo do leitor interpretar a moral dela mesma. Podendo, entre tantas que a história deixa em seu desenrolar, escolher para si a que ele quiser: 


Leitura sempre recomendada.












Moore e Gibbons 







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sábado, 15 de setembro de 2012

The Who




          Já faz alguns bons meses coloquei meu celular para tocar pela saída de som aberta diante de alguns alunos na autoescola onde trabalhei. O pessoal em volta me perguntou que banda era. Respondi The Who. E eles: Quem?
         Se a língua oficial no Brasil fosse o inglês a pergunta seria ate uma piadinha sem graça... Achei aquilo completamente estranho, não conhecerem o The Who. "Não vêem CSI, não?? House??". Diante de uma resposta positiva tive a logica conclusão de que eles conheciam sim The Who. Mas continuavam a me olhar com cara de descrença...
         Com o encerramento das olimpíadas de Londres, achei que finalmente essa banda teria seu reconhecimento diante do grande publico, afinal imagino que foram milhares e milhares de pessoas assistindo para ver a participação do Brasil (é claro). Mas não. Continuaram sem saber de quem se trata.
          Pois vou lhes dizer de quem se trata e fazer chegar ao conhecimento de todos os visitantes do blog (ou seja 3 pessoas...hehehe) quem é essa fantástica e tão importante banda (se prepara que o discurso é longo). Para se ter idéia ela é a banda favorita (ou pelo menos uma delas) de Jerry Bruckheimer (produtor da franquia CSI) e do Dr Gregory House. Por isso, toda série CSI tem uma música do The Who na introdução (posto as três abaixo) e no 14º episodio de House ele está bem entretido com a introdução de Baba O'Riley quando o chefão marrento entra e sacaneia a diversão dele (lembra?), além de outras citações aqui e ali em alguns episódios. Outro detalhe: no encerramento das olimpíadas tocaram músicas e tiveram presentações de varias bandas inglesas famosas, The Who teve um cover durante o espetáculo. Porém foi a propria banda (ou o que restou dela )que encerrou o evento. 
          Encerrou. Fechou o espetáculo musical. Não foram o Oásis, nem Queen, nem mesmo Beatles, foi The Who quem teve a honra de dar o último agradecimento a plateia, ou seja, todas as demais bandas fizeram apenas um show de abertura para eles (hehehhehe).
          Bem, brincadeiras a parte, The Who realmente é uma das bandas mais importantes  para o Rock e ate mesmo para a música conteporanea. A banda era formada por Roger Daltrey: vocais e gaita; Pete Townshend: principal compositor, guitarra, vocais (Backing e principal em algumas canções) e sintetizadores; John Entwistle: baixo, trompa; Keith Moon: bateria, percussão.





(vindo da esquerda: Roger, Keith, John e Peter)



          No inicio, no meado dos anos 60, era ela uma banda de estilo Mod, comum entre as bandas inglesas da época. O que marcava a banda eram as apresentações (que marcariam por anos e anos). Se os amigos com trinta e poucos anos curtiam a quebradeira de Cobain e companhia do Nirvana, saibam que foi The Who quem inventou esse tipo de "espetáculo" no palco. Peter Towshend em entrevista dizia que era estimulado pelo seu empresário a quebrar a guitarra no palco, pois sabia que o público gostava. Keith Moon, louco por natureza, resolveu entrar na brincadeira e começar a arrebentar seus batuques no final do show junto de Peter. A performance da banda é algo simplismente notável. Performáticos, empolga ver Peter pulando e acertando a guitarra no chão, nas pernas, esfregando o braço no pedestal do microfone para tirar de sua garota sons únicos. Keith por sua vez, com seu estilo brincalhão, irônico e até sarcástico, impunha toda essa sua personalidade atrás da percussão. E Roger com sua energia ao cantar e ao girar o microfone, arremeça-lo no ar e puxa-lo de volta (coisa única de se ver). Infelizmente não achei nenhum video que mostre sua performance com toda a sua força, mas nos vídeos dá para ao menos se ter uma ideia...
          Porém The Who, mais propriamente Peter Towshend, desde o inicio impõe um estilo musical próprio em suas canções. Seu primeiro sucesso foi a faixa título My Generation em 1964. As letras do álbum contiam uma rebeldia e conflitos adolescentes, uma das canções do primeiro LP chama-se "I hope I die before I get old" ("Eu espero morrer antes de envelhecer"); "hummm...onde será que já vi isso antes??". Agressividade, sentimentalismo negativo à "sacal" vida cotidiana e visão pessimista quanto a envelhecer não seriam a escencia do.... Punk?
          Pois, é. Acho que eles deram uma forcinha para criar os futuros punks ingleses


          O segundo álbum foi o A Quick One (nos EUA chamou-se: Happy Jack), lançado em 1966. Esse álbum tem uma hisória curiosa, que determinou alguns dos futuros  passos do rock. Todas as músicas da banda até então eram curtas, como era costume na época, porém após finalizadas e gravadas todas as canções o lado B (vinil, estão ligados??) ainda tinha muito espaço, coisa de 5 min. Em entrevista Peter conta que o produtor pediu para que fizesse uma música daquele "tamanho", para finalizar o álbum. Peter desconcertado, confessou que não era capaz de criar uma música tão longa. Dizia ele que apenas criava uma composição, fazia um refrão, um pequeno solo e finalizava música, com no máximo 3:00 minutos, como era comum na época. Então o produtor perguntou: Se você não pode criar uma música de 5 minutos, será que poderia criar uma história de 5 minutos?" Aquilo fez sentido para Peter que criou o que eles chamaram de mini-ópera intitulada "A Quick One, While He's Away", uma história cantada (e uma música longa. Pelo jeito eles também ajudaram com o rock progressivo...). Aquilo foi apenas percussor do que ainda estaria por vir. Após fazer um álbum conceitual, o "The Who Sell Out" em 67 onde a banda simulava estar em uma estação de rádio (com comercias e tudo), eles criaram um álbum que mudaria o rumo do rock: Tommy, a Ópera Rock
          Um álbum inteiro que conta uma historia por meio de canções... de Rock.
          De Rock!!
          Nunca tinha sido feito algo assim. A idéia foi repetida por várias bandas, incluindo o Pink Floyd uma década depois com The Wall.





         Tommy conta a história de um garoto que fica cego, surdo e mudo, mas que "joga muito pinball". Torna-se o campeão mundial e descobre que suas incapacidades são capazes de conduzi-lo a um patamar elevado de conscientização da realidade física e espiritual (ei, eram os anos 60, lembra da contra-cultura de Paz e Amor, elevação da conciência, e tal?), transformando-o numa espécie de guia-espiritual-rock-star entre as pessoas pelo mundo. Canções únicas que simplismente ficam marcadas na sua cabeça. Melodias distintas e letras por vezes visionárias, por vezes ousadas.O universo musical e ideológico criado por The Who em Tommy é algo inigualável, tanto que anos depois virou um filme com participação de varias personalidades famosas como Jack Nicholson, Tina Turner, Eric Clapton e Elton Johnn (a banda atuou no filme também, Roger faz o papel de Tommy) e gerou também um musical de sucesso com turnes mundiais. Todas as músicas são ótimas, mas minhas preferidas são a Overture, 1921, Pinball Wizard, Go to the Mirror, I'm Free, We're Not Gonna Take It.

          Parecia que a banda havia atingido seu ápice e que jamais criaria uma obra completa que se comparasse em qualidade. Até eles lançarem o álbum seguinte, The who's Next de 1971. Aclamado por muitos fãs como o melhor álbum da banda (eu fico na dúvida entre os dois). Não se trata de outra ópera, nem uma idéia inovadora, mas com certeza foi um álbum conceitual para o rock. Já começa com o complexo arranjo no sintetizador de Baba O'Riley logo após o chiado da agulha que segue pelo vinil ótima musica após a outra até recomeçar novamente no lado B. Excelentes canções estão nesse álbum que finaliza com a preferia de muitos Won't Get Fooled Again. Na primeira nota do sintetizador já se reconhece a música... simplismente incrível.




          The Who continuou a criar bons álbuns como Quadrophenia de 73. Outra ópera, dessa vez sobre um jovem com múltiplas personalidades (também virou filme). The Who by Numbers (1975) e Who Are You (1978) Foram os últimos álbuns lançados com Moon na batera que morreu de overdose acidental de remédio contra o alcoolismo (que ironia não. Antes continuasse alcoólatra). Sua última noite foi junto de Paul e Linda McCartney. Após irem a uma pré-estréia no cinema, Keith e sua namorada foram para um apartamento emprestado onde Keith faleceu dormindo (curiosamente nesse mesmo apartamento, Cass Elliot do The Mamas and The Papas falecera 4 anos antes. Macabro...). A banda continuou a criar por algum tempo, mas sem Moon pra mim não é bem The Who, assim como não seria se outro integrante morresse. O que veio a acontecer no dia 27 de junho de 2002 quando John Entwistle morreu por problemas cardíacos após consumir cocaína.


          The Who para mim hoje, são uma dupla de 4 integrantes.



          Bem, escrevi muito mais do que de costume, mas para quem teve saco para me aturar posto algumas músicas mais conhecidas da banda em apresentações e clipes, alem de cena do filme Tommy com participação de Elton John, mas acho que deu para mostrar o quão importante essa banda é para o rock e para mim que cresci ouvindo The Who's Next domingos a tarde na bolacha do meu pai. Espero que gostem tanto (ou quase) quanto eu desses ilustres, e nem tão, desconhecidos.


Brenoi





Roger e Peter









"My Generation" - Álbum My Generation
Retirado do documentario sobre a banda The Kids are Alright que eu recomendo.






"I Can't Explain" - Álbum My Generation






"Overture" - Álbum Tommy







"Pinball Wizard" -  Álbum Tommy






"Go to the Mirror" - Álbum Tommy






"Baba O'Riley" - Álbum The Who's Next



 

  "Behind Blue Eyes" - Álbum The Who's Next





"5:15" - Álbum Quadrophenia






"Love Reign O'er Me" - Álbum Quadrophenia






"Barbara Ann" (cover) - Retirado do documentario The Kids Are Alright






"Who Are You" - Álbum Who Are You




 

E para fechar:

"Won't Get Fooled Again" - Álbum The Who's Next










No Woodstock


























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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Eraserhead - Um Bate-Papo Entre o Bizzaro e o Confuso





          Uma vez uma amiga de Face participava de uma daquelas brincadeiras em que cada dia você tem que postar algo diferente sobre algum tema, no dela tinha que se apresentar um filme diferente com determinadas caracteristicas, tipo: Filme de comédia que você não achou graça, filme romântico que você mais gostou, drama que mais chorou, etc. No dia que ela deveria dizer o filme que ela não entendeu nada ela postou o Matrix Revolutions. Bem, Matrix Revolutions é realmente complicado de se entender. Tem que se levar muito em conta as duas primeiras partes para compreende-lo como um todo. Além é claro das simbologias envolvidas nos filmes. Porém se eu tivesse que dizer qual foi o filme que eu não entendi absolutamente nada eu diria sem a menor dúvida que é o EraserHead de David Lynch ("O Homem Elefante", "Veludo azul", "Coração Selvagem").
         Lançado em 1977, ele foi escrito e dirigido por Lynch, e é algo simplismente sem pé nem cabeça (só tem cabeça no nome mesmo). O longa soa como se o expressionismo alemão, o surrealismo cinematografico e os filmes B de monstros alienígenas dos anos 50 sentassem num bar para trocar umas ideias já meio bêbados.

          Geralmente num tradicional filme "confuso", chega em certo momento em as peças começam a se encaixar e as coisas começam a fazer sentindo, nem que seja na cena final! Mas EraserHead tem uma sequência de acontecimentos que, embora possuam alguma ligação com as cenas anteriores, colocam mais elementos sem sentido. O espectador busca a compreensão sobre o filme mas só encontra mais confusão. Como alguém que se afoga no fundo do mar e nada, braçada após braçada em busca da superfície que nunca chega. Pior, como se não saísse do lugar.
         Visualmente o filme é interessante e por vezes bizarro. O roteiro surrealista segue bem ao estilo diferenciando-se ao incluir uma boa dose dos já sitados Filmes B. A direção cumpre bem a intenção de apresentar estilos diferentes em um único longa, fazendo-o sinistro e interessante.
         Estranho, bizarro, sem nexo algum.
         Um filme recomendado, mas só para quem tem estomago forte. Porque é bem difícil de digerir a proposta do longa.































































E você? Entendeu esse filme??


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