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segunda-feira, 29 de julho de 2019

Rutger Hauer - Uma Singela despedida




          Faleceu no ultimo dia 19 (julho de 2019) o ator Rutger Hauer.  Nascido em 23 de janeiro de 1944, Hauer completava mais de 50 anos de carreira como ator. Filho de pais professores de teatro, o ator holandês estreou na televisão em 1969, numa serie dirigida por Paul Verhoeven, depois no cinema em 73 novamente sob a batuta de Verhoeven em "Turkish Delight" (Louca Paixão). Filme indicado ao Oscar de Melhor filme Estrangeiro.

          Chegou no cinema americano junto a Sylvester Stallone em "Nighthawks" (Falcões da Noite). E dai por diante, se tornou um daqueles atores que marcam época, no caso dele as décadas de 80/90. Embora, claro sua carreira tenha se estendido pelos anos seguintes, foi nesse período que ele teve (ao menos para mim) seus trabalhos mais memoráveis: "Conquista Sangrenta", "A Morte Pede Carona", "Exterminador Implacável", "Aliança Mortal", "O Destruidor", "Buffy, A Caça Vampiros (filme original), "Alerta Vermelho", além de outros.



         Mas, os filmes que me fizeram esse cara ser tão marcante para mim são "O Feitiço de Áquila", obra de Richard Donner, com Michelle Pfeiffer e Matthew Broderick, onde ele interpreta Etienne Navarre, um cavaleiro de armadura negra que cavalga seu cavalo negro (e tem um lobo negro também). Me foi muito marcante quando criança esse personagem (muitas vezes me imaginava usando aquela espada longa e sua besta de dois tiros matando inimigos numa era medieval).

         E o outro filme é claro, Blade Runner, onde ele interpreta o androide Roy Batty. Acho que não preciso dizer muito sobre esse filme aqui. Já foi tema de duas postagens minhas onde eu acho que falei até demais...hehehe.





        É engraçado para mim pensar em Hauer. Nunca foi uma grande estrela aos meu olhos, mas, ao refletir sobre sua obra, percebo que ela foi mais importante na minha vida do que imaginava. Carrego até hoje a influencia de O Feitiço de Áquila (sempre que imagino um lobo para alguma historia ou ilustração, é aquele lobo que me vem primeiro a cabeça).

        Uma pena o seu falecimento. Mas curiosamente, ele veio a falecer justamente no mesmo ano que seu personagem em Blade Runner: 2019.


        Que descanse em paz.








     




        "E todos os seus momentos se perderam no tempo como lagrimas na chuva... 

         Time to goodbye"


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quarta-feira, 20 de março de 2019

Blade Runner - Uma Obra-Prima Cinematográfica





          Ainda me lembro da primeira vez que pus os olhos em Blade Runner. Era uma noite de segunda-feira provavelmente e ele passava na Globo. Eu era bem criança e não pude ver até o final, tinha que dormir cedo. Mas lembro de ter ficado muito curioso em ver o resto do filme. Aquela abertura de uma "cidade industria" era inquietante, instigante. Lembro do meu pai comentar algo sobre o futuro sinistro que ela antecipava. E, durante anos, eu fiquei sem ver o filme já que só chegava atrasado no canal em que estava passando e detesto ver filme pela metade. Ver filme já "começado" é que nem spoil para mim.



          Estraga tudo.



          Só fui ver completo nos meados dos anos 2000 quando a "versão do diretor" passou a se tornar a versão oficial e para tudo que é lado na internet você encontrava ela, mas nunca a versão original. De modo que, foi essa que eu vi. Gostei muito, mas...





          Como disse um professor de desenho e cinéfilo fã do filme: "Esquece a versão do diretor. Esquece... Isso não é Blade Runner. Isso é muito ruim."


(E é mesmo)


          Meses depois, aguçado pela curiosidade que o professor me deixou, já que ao debater sobre qual era a melhor versão, usei os argumentos que a gente ouve por ai hoje em dia: "Não fez sucesso", "Foi um fracasso", "O final era muito tolo e incoerente", etc...; Mas ele foi definitivo comigo: "Tá tudo errado. Todo mundo gostou do filme. Eu estava lá, você não."





           Cocei minha cabeça e segui em busca da verdade (ou da minha verdade). Precisa ver o original e tirar minhas próprias conclusões. Meses depois comprei um box com todas as versões além de um DVD de extras sobre a produção do filme (nunca ouvi falar de um making off de um filme tão detalhado). O filme possui nada mais nada menos do que 4 versões: A versão original, a versão internacional (não vejo muita diferença entre as duas), a versão do diretor e a versão Final.




          Sentei o DVD no meu PC e fui assistir.


          Não tem comparação.



         A "metida de dedo" dos donos da produtora na versão original fez toda a diferença. E na boa, a verdade é que esse filme foi uma cagada atrás da outra. O roteiro era completamente diferente (nem o nome era esse), troca roteirista, diretor não sabe o que quer da vida, pós produção desnecessariamente longa com montagens e montagens entre o diretor e o editor tentando definir o filme (por isso que tem a versão do diretor e a final. Essas devem ser apenas algumas das versões que eles criaram)... Meterem a mão para fazer o filme ser lançado foi a melhor coisa que poderia ter acontecido ao filme que dezenas de vezes esteve ameaçado de nunca ser concluído por diferentes problemas. Está tudo nos extras do box, mas não é bem sobre os erros que eu vim falar, mas sobre os acertos.





           Ridley Scott (Gladiador, Falcão Negro em Perigo, A Lenda, Chuva negra, Alien, etc...) sempre me pareceu ter uma certa dificuldade com a narrativa. Em "contar a estoria" para o espectador, faze-lo entender o que se passa no contexto geral da estoria que estamos assistindo. Porém, ele que começou como diretor de arte, sabe dominar a mise-en-scène de forma espetacular e até única. Vejo em Blade Runner essa sua habilidade em sua melhor forma. O design, os materiais, o uso de câmera, lentes, criam uma ambientação realmente fantástica dando a cada cena algo de "memorável". É difícil você confundir alguma cena de Blade Runner com outro filme de tão únicas que elas soam aos olhos. Ângulos e cores, associados a cenografia,  fazem de cada tomada um deleite para os olhos dos amantes da sétima arte.


          Syd Mead foi o principal ilustrador da arte conceitual de Blade Runner. Se inspirando nas artes de ilustradores de revistas como Heavy Metal, criou no papel a maior parte do que vemos em cena. Imaginando desde objeto até a cenários, o que o fez cair nas graças de Scott e juntos bolaram alguns dos principais conceitos sobre futuros sombrios cyberpunk cinematográficos utilizados como referencia até hoje. Ainda se usa a expressão "tipo Blade Runner" para exemplificar algo tamanha é sua influencia.



Não me pergunte o que é aquilo no fundo do copo. Prefiro não saber...

           A cenografia e figurinos são na maior parte do tempo incríveis, porém em outras meio apagadas. Mas acho que a ideia de Scott era mesmo essa. Criar diferentes ambientes no futuro confuso de BR, onde uma hora você está em um grande apartamento intimista e em outra numa feira no Marrocos. Ou num prédio antigo, sujo e mal conservado.




          Os efeitos especiais são muito interessantes em sua técnica e que, em sua maior parte, funcionam bem até hoje (exceto a cena da replicante morrendo na rua. Essa não funcionaria nem no cinema mudo) criando um estilo visual próprio.








          As atuações são na maioria aceitáveis. Não gosto muito de Harison Ford em papeis mais sérios e não acho que ele tenha sido uma boa escolha para interpretar Rick Deckard, o caçador de androides. Está bem sofrível na narrativa do filme, mas como isso foi uma das coisas que entraram meses depois da pós produção e ele já estava de saco cheio daquele projeto, isso também deve ter pesado na hora de interpretar. Sean Young (Rachael) também deixa a desejar ao meu ver. Não há nenhum momento de grande atuação da parte dela; o mesmo para Daryl Hannah (Pris). Mas quem eu acho que trouxe vida ao personagem e até ao filme foi Rutger Hauer (Roy Batty). Dando uma interpretação ao seu personagem que brinca entre um frio homicida, uma indefesa criança e um romântico amante sem soar exagerado ou incoerente. Além disso, a cena de "lagrimas na chuva" é uma invenção dele. Ele criou aquela fala numa das sessões de leitura do roteiro. Que para mim é a cena que vale o ingresso.




          Blade Runner é uma ficção cientifica, mas é também um filme noir, um bom filme noir. Tem todos os elementos que compõem um filme do estilo: Uma estória aparentemente simples mas com desdobramentos, personagens principais de natureza conflitante, uma "femme fatale" (na verdade, mais de uma), uma narrativa sombria. Narrativa alias que não está nas versões posteriores, mas que é algo que traz uma nova dimensão ao filme, e por vezes até amplia o mundo de Blade Runner ou seu personagem principal. Infelizmente em outros momentos acho que deixa a desejar. Se tornam falas de linha muito insossa. Parecem escritas por redator de obituário. O roteiro ( da versão que foi aos cinemas) é algo lindo de se analisar. Como sempre digo, as melhores ficções cientificas são pretextos para falar de alguma particularidade da condição humana. E em BR nós falamos sobre a existência do homem como individuo: Ela acaba.


          A vida acaba. 


          A todo momento o roteiro nos fala disso.



          Quem nós somos?

          O que nos define?



          Mas principalmente: Quando o que nós somos irá findar e como podemos evitar isso?


          Se analisarmos a estória, veremos que os replicantes (androides) nada mais são do que a personificação de nós mesmos, de uma maneira mais crua e objetiva. "Mais humanos que humanos". E a mensagem que ele deixa, pelo menos para mim é que não podemos nos agarrar a isso. Não podemos deixar que a ideia de que nossas baterias um dia irão acabar se torne uma obsessão. Se não passaremos a vida preocupados com o dia que era acabará e ela então acaba, e nós a desperdiçamos tentando impedir ou adiar o inevitável.


Filme sempre recomendado aqui no blog.


(Sobre a trilha sonora eu já comentei nesse post:)

































































As vezes tenho a impressão que já vi algumas fontes e logo em outro lugar...




























Eu não sei se é mais engraçado, hipnótico ou perturbador...









"All those moments will be lost in time... like tears in rain.
Time to die."












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domingo, 10 de novembro de 2013

Blade Runner - Uma Obra-Prima Sonora





             Quando vi um comentário em um blog há alguns anos sobre a trilha sonora de Blade Runner ser uma das melhores de todos os tempos, fiquei curioso e até, instigado. Lembrava vagamente de ter visto trechos do filme quando criança, de modo que não podia dar críticas ao comentário (muito embora muitos críticos o fariam). Baixei na inter... digo, BUSQUEI na net a trilha sonora e pus o som no fone de ouvido. O encanto foi imediato, e percebi que não havia exageros no comentário no blog: é realmente uma das melhores composições para filmes que eu já ouvi. Músicas muito intrigantes, muito cheias, de uma suavidade meio mística as vezes. Bem marcantes (tanto que de tanto ouvir, ao ver o filme, até me distraio da tela ouvindo a música no fundo).





Vangelis

              Composta pelo músico Evángelos Odysséas Papathanassíu (29 de março de 1943), vulgo Vangelis, ela é sempre lembrada como uma das melhores e mais vanguardistas trilhas de todos os tempos. Vangelis é um músico grego que começou a tocar piano aos 4  anos de idade (e a compor aos 6). Nos anos 60, criou uma banda pop conhecida da Grécia, a Formynx. Mais tarde se mudou para Paris e formou uma banda de rock progressivo, chamada "‘Aphrodite's Child" (ainda vou procurar sobre essa banda, e quem sabe até posto sobre ela). Com o fim da banda, Vangelis que além de piano tocava flauta, xilofone, bateria e diversos instrumentos de percussão, seguiu carreira solo em Londres, lançando álbuns e criando trilhas. Entre seus trabalhos estão Carruagens de Fogo - Chariots of Fire (que lhe rendeu um Oscar de Melhor Trilha Sonora original, é desse filme que saiu aquela canção que marca a corrida de São Silvestre), documentários de Jacques Costeau, a série "cosmos", "O Ano que Vivemos Perigosamente", "Lua de Fel",  "1942 - A Conquista do Paraíso" e "Alexandre" além de trabalhos com diversos músicos e diretores. 



              Mas o que nos traz aqui é talvez o trabalho mais emblemático: A trilha sonora de "Blade Runner - O Caçador de Androides", onde o artista mistura todas as suas influencias de trabalhos anteriores, música clássica, rock progressivo, música eletrônica... as vezes tudo junto numa música só. Músicas que nos tocam  nos envolvendo em sua melodia suave e sonoridade singular. Do tipo de músicas que você deixa rolar o álbum da primeira a última faixa, curtindo a sensação e emoção que cada uma evoca em você.

             Vale apena conhecer melhor essa obra que eu sempre recomendo ( e quem busca conhecer, não se arrepende)








Vangelis






Carruagens de Fogo





Blade Runner -  "Main Titles"
(começa com trecho do filme, pode pular e ir para o ponto 1:05)




Blade Runner - "Love Theme" 

(quem não conhece essa, não nasceu nos 80)








Blade Runner - "Blush Response" 

(começa com trecho do filme, pode pular e ir para o ponto 1:35)







Blade Runner -  "End Titles"



Contra capa do álbum 
(Essa é uma edição antiga, as mais recentes contém mais músicas do filme)




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