quarta-feira, 26 de março de 2014

Robocop - Remake

Robocop 2014
"O crime tem um novo inimigo"


          Fui eu outro dia com meu companheiro de cinema, o distinto cavaleiro Sr Victor Hugo (meu filho e não o escritor) assistirmos ao remake de Robocop, dirigido por José Padilha (Tropa de elite 1 e 2).

          Padilha mostrou uma narrativa consistente com o estilo holywoodiano em seus dois excelentes filmes, todavia parecer hollywood e fazer em hollywood são duas coisas bem diferentes, e um remake de robocop, um sucesso com duas continuações, serie animada, hqs e serie de tv não é pouca responsabilidade não. Duvidei da habilidade dele para conduzir o filme, ate porque, baseado no original, fugia e muito da temática do filme os temas por Padilha apresentados em seus filmes. Porém, me surpreendi.

         Sendo sincero achei que seria uma bosta o filme, mas pra começar, o Robocop, o tema do filme é outro daquele apresentado há anos atrás por Paul Vehoven (Vingador do futuro, Instinto Selvagem, Tropas estrelares e....Showgirl (??)). Naquele, Robocop é o policial do futuro, "meio homem meio máquina". Um homem é usado para dar razão e coinsciencia a uma arma cuja inteligencia artificial era precária e de acoes descompensadas, simplesmente sem senso de julgamento e sem controle total do homem sobre ela. O curioso é que no novo Robocop ocorre  inversão de valores, o que é totalmente controlado e com capacidade de decisões precisas é o problema, e o Robocop com senso de julgamento não é  bem vista pelos seus criadores. E o Robocop, original,  é um ser que tenta descobrir/lembrar o que ou quem é num conflito entre ser uma maquina, um eletrodoméstico a serviço da empresa que o criou regido pelas diretrizes implantadas por esta em seu  sistema, e ser Alex Murphy, policial assassinado em cumprimento do dever, que perdeu mulher e filho por acreditarem que estava morto.
Robocop antigo          Robocop original é um herói basicamente, um super-herói.


         É o fodão a prova de balas, com mira de Chuck Norris, que se move em câmera lenta justamente porque ele não precisa se preocupar em se desviar de balas, misseis, nem porra nenhuma. Eu gostava muito dessa estética do Robocop original. Casava bem com a ideia que o roteiro propõe e a visão de um robô nos anos 80: eles são pesados e pouco ageis. Mas o que faltava de agilidade sobrava de precisão matemática e tecnologia para auxilia-lo a com bater o crime.



         A direção usou o jornalismo televisivo para ambientar rapidamente o espectador no mundo de Robocop (técnica copiada por muitos da grafic novel O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller). O lado humano do Robocop original é retratado na relação com a parceira de Alex, a Lewis. Ela mantem a relação de parceria embora Alex e ela só sejam parceiros por um dia, já que ele morre no primeiro dia na nova delegacia. Tipico furo de roteiro dos anos 80. Assim como ele ir parar justamente na antiga DP onde trabalhava. Essa incrível coincidencia fez com que ele e a Lewis pudessem se reencontrar.

         Pra você ver como o universo conspira a seu favor....


         Em Robocop original o tema é bem simples. Ou exposto/explorado de maneira simples.

         É um filme de ação. Ponto.


         Tem elementos a ser refletir mas são basicamente simples as questões levantadas. Sempre gostei de Robocop porque, apesar de simples eram questões nunca pensadas. Afinal, botar uma maquina num homem (porque é isso o que acontece no filme. A maquina é para sobrepor o homem. Só com o tempo Alex se sobrepõe a maquina indo contra  vontade de seus criadores) era algo nunca imaginado no cinema. Não que eu saiba pelo menos.


         Já no novo, o caminho é inverso....




Continua na parte dois.




ed 209 original
Ed-209 versão original







Robocop original








Robocop





Robocop
"Parte homem, parte maquina, todo policial.
Robocop - O policial do futuro"




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domingo, 10 de novembro de 2013

Blade Runner - Uma Obra-Prima Sonora





             Quando vi um comentário em um blog há alguns anos sobre a trilha sonora de Blade Runner ser uma das melhores de todos os tempos, fiquei curioso e até, instigado. Lembrava vagamente de ter visto trechos do filme quando criança, de modo que não podia dar críticas ao comentário (muito embora muitos críticos o fariam). Baixei na inter... digo, BUSQUEI na net a trilha sonora e pus o som no fone de ouvido. O encanto foi imediato, e percebi que não havia exageros no comentário no blog: é realmente uma das melhores composições para filmes que eu já ouvi. Músicas muito intrigantes, muito cheias, de uma suavidade meio mística as vezes. Bem marcantes (tanto que de tanto ouvir, ao ver o filme, até me distraio da tela ouvindo a música no fundo).





Vangelis

              Composta pelo músico Evángelos Odysséas Papathanassíu (29 de março de 1943), vulgo Vangelis, ela é sempre lembrada como uma das melhores e mais vanguardistas trilhas de todos os tempos. Vangelis é um músico grego que começou a tocar piano aos 4  anos de idade (e a compor aos 6). Nos anos 60, criou uma banda pop conhecida da Grécia, a Formynx. Mais tarde se mudou para Paris e formou uma banda de rock progressivo, chamada "‘Aphrodite's Child" (ainda vou procurar sobre essa banda, e quem sabe até posto sobre ela). Com o fim da banda, Vangelis que além de piano tocava flauta, xilofone, bateria e diversos instrumentos de percussão, seguiu carreira solo em Londres, lançando álbuns e criando trilhas. Entre seus trabalhos estão Carruagens de Fogo - Chariots of Fire (que lhe rendeu um Oscar de Melhor Trilha Sonora original, é desse filme que saiu aquela canção que marca a corrida de São Silvestre), documentários de Jacques Costeau, a série "cosmos", "O Ano que Vivemos Perigosamente", "Lua de Fel",  "1942 - A Conquista do Paraíso" e "Alexandre" além de trabalhos com diversos músicos e diretores. 



              Mas o que nos traz aqui é talvez o trabalho mais emblemático: A trilha sonora de "Blade Runner - O Caçador de Androides", onde o artista mistura todas as suas influencias de trabalhos anteriores, música clássica, rock progressivo, música eletrônica... as vezes tudo junto numa música só. Músicas que nos tocam  nos envolvendo em sua melodia suave e sonoridade singular. Do tipo de músicas que você deixa rolar o álbum da primeira a última faixa, curtindo a sensação e emoção que cada uma evoca em você.

             Vale apena conhecer melhor essa obra que eu sempre recomendo ( e quem busca conhecer, não se arrepende)








Vangelis






Carruagens de Fogo





Blade Runner -  "Main Titles"
(começa com trecho do filme, pode pular e ir para o ponto 1:05)




Blade Runner - "Love Theme" 

(quem não conhece essa, não nasceu nos 80)








Blade Runner - "Blush Response" 

(começa com trecho do filme, pode pular e ir para o ponto 1:35)







Blade Runner -  "End Titles"



Contra capa do álbum 
(Essa é uma edição antiga, as mais recentes contém mais músicas do filme)




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sábado, 12 de outubro de 2013

Judson Huss - Fantasia e Renascentismo

"Isa Flore"

              Judson Huss é um pintor, um artista, de uma expressão muito própria e particular. Nascido em Durham, Carolina do Norte em 1942 como Clifford Judson Huss, começou a estudar arte e desing em Los Angeles (também é músico. Tocou guitarra e baixo em varias bandas) Porém, descontente como a arte moderna lhe era apresentada pelos seus tutores, se muda para Europa, Paris mais especificamente, nos anos 70, onde descobre os antigos mestres e também os artistas conteporaneos de arte fantástica.

"The Mongol"

                        Ao analizar sua obras encontramos em seus traços um realismo que nos parece estarmos olhando uma fotografia desenhada com tintas renascentistas e por vezes, surrealistas, mas um surrealismo-fantasia como um misto de Da Vinci com Heavy Metal (a revista em quadrinhos). Huss utiliza em seus quadros técnicas diversas, aplicando-as de modo harmonioso para compor suas obras.

               A luz é dos elementos que mais recebe atenção na suas composições, sendo trabalhada com os diferentes tons de cores para compor o efeito de luz e sombra. Assim como o foco dos objetos em diferentes distancias. O modo como Huss utiliza esses dois elementos cria a sensação de profundidade em seus quadros, parece nos envolver de modo sutil, nos fazendo sentir parte do cenário, como se fossemos mais um dos elementos que o compõe .Como um observador que também esta ali, há poucos metros de distancia da cena que é ilustrada. Isso é outra caracteristica da 
obras de Huss. O movimento da obras não é físico. A ideia de movimento parte de que a imagem da verdade é uma parte de uma história, de um enredo. A sensação não é de que aquela imagem tem uma historia para contar, mas sim que ela é um momento em uma historia, um flash sobre um determinado momento dessa historia, dessa fantasia.

"Summer" - Verão





              Quem são essas pessoas que aparecem? O que estão fazendo? Porque estão fazendo? Da onde vem e para onde vão? O que está acontecendo, afinal?
             A imagem aguça a imaginação daqueles cuja a mente é sensível, perspicaz, inquisitiva e curiosa (hehehehe). Os títulos também ajudam a intensificar essa ideia de movimento.
            "Os Mestres holandeses, para quem a minha admiração nunca termina, me deu coragem muitas vezes, e a Escola de Realismo Fantástico moderno me deu a direção." disse ele.
             Huss trabalhava com diversas técnicas de arte e materiais desde óleo sobre tela e madeira, aquarela, desenhos, a acrílico sobre papel e esculturas. Se destacando sempre em cada uma da técnicas que utilizava. Ele morreu em 25 de julho de 2008 em Paris, mas deixou uma vasta obra para
ser admirada.





"Indoctrination" - Doutrinação

     










 "Suas telas brilham como antigos trabalhos do norte da Europa.  Ele é um novo Antigo Mestre.." - Terry Gilliam (diretor cineasta)











   
"Bellum, TheSurvivor" - Bellum, O Sobrevivente











 "Judson Huss tem uma imaginação fantástica." - Ray Bradbury

"Return From Africa" - Retorno da África




"Fishing For Angels" - Pesca para Anjos








"Autumn" -  Outono






"The Word" - A Palavra




"The Sentinel" - A Sentinela



"The Last Bird"- O Último Pássaro



"Don Quixote"




"The Victor"- O Vitorioso





"Desert Rose" Rosa do Deserto





"The Honey Merchant" - O Mercador de Mel





"The Lotus Eater"- O Comedor de Lótus



"Two Dignitaries" - Dois Dignitários

(Definição de "Dignitário")

























"The Hawk and the Chicken"- O Falcão e o Frango









"Saint Michael" - São Miguel (sentando a porrada na capetada)





"After the Storm" - Após a Tempestade





"Sythe"
Sythe é o nome de um santo inglês ou uma outra forma de dizer foice em inglês





"Boticelli's Tomb" - A Tumba de Boticelli
Reparem como ele brinca com luz e sombra na cortina da cama e dá realismo ao tecido.





"The Trio" - O Trio




Não encontrei o nome dessa obra. Se alguém souber, essa informação será bem vinda.





"Natural History"- Historia Natural

Mais uma vez o jogo de sombras e luz dão volume as formas femininas da mulher (e a sujeira na sola do pé dela também. heheheh)





"Vanitas" 



E vocês? O que acharam das obras desse artista?


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